MAS, AFINAL, O QUE É MESMO O SAV?
SAV significa Serviço de Animação Vocacional. “Serviço” porque é, exatamente, o cumprimento de uma missão e toda missão implica uma atitude, uma ação concreta. Esse é um serviço que nasce do sopro divino que inspira e anima a vida da Igreja. “Ânimo” lembra exatamente isto: sopro vital, alma, vida que recebemos e somos chamados a transmitir com a mesma generosidade. “Animação” não se confunde com empolgação ou com euforia; ao contrário, ela é alegria consciente e certeza de poder contar com as graças necessárias para realizar tal empreendimento. “Vocacional” nos lembra o chamado, o projeto original que Deus pensou e desenhou para cada um de nós. É um trabalho pastoral da Igreja que visa despertar os cristãos para a vocação humana, cristã e eclesial, discernir os sinais indicadores do chamado de Deus, cultivar os germes de vocação e acompanhar o processo de opção vocacional consciente e livre. A Animação Vocacional na Igreja é todo o esforço que toda a comunidade cristã deve fazer para “dar espaço a todos os dons do Espírito”, ou, se quisermos, o estímulo que leve “todos os batizados e crismados a tomarem consciência da sua própria e ativa responsabilidade na vida eclesial”. Fazer animação vocacional é despertar em todos os batizados e batizadas o senso de Igreja e o sentido vocacional da pertença à Igreja. O SAV é voz da Igreja que nos anuncia nossa principal vocação: AMAR. Além disso, essa Igreja nos instrui a agir de modo que nos realizemos, sejamos felizes e façamos felizes aqueles que nos rodeiam. Deus é amor, nos criou por amor e para amar.
ENTÃO TODA VOCAÇÃO É AMOR?
A vocação é fruto do amor primeiro de Deus. É também a forma como concretizamos este chamado em nossas vidas. Santa Terezinha, por exemplo, descobriu que Deus a chamava ao Carmelo. Viver enclausurada não a impediu de ser patrona das missões. Ela descobriu que, por amor, estava presente nos missionários que saiam para terras longínquas. Estava presente nos padres que celebravam os sacramentos, nos pais que se dedicavam a educar os filhos, no catequista que evangelizava, na leiga ou no leigo que entregavam a vida a cuidar dos doentes. Dessa forma, o amor é o motor que deve conduzir-nos a todos. Cada um ama de uma forma especifica, isto é vocação.
PENSAR ASSIM ACABA COM O “PRECONCEITO VOCACIONAL”?
Uma de nossas dificuldades é esta: um certo “preconceito vocacional”. Isto quer dizer que existe uma certa desconfiança quando falamos de vocação. Logo se pensa: “não quero ser padre, não quero ser freira…”Antes de tudo, é preciso perguntar-se o porquê desta reação. Pode ser que os padres ou freiras que conhecemos não sejam grandes testemunhos de alegria, vitalidade ou sejam mesmo cheios de limites. Mas é necessário considerar que existem muitos e muitas que são testemunhos verdadeiros e profundos de alegria e amor e isso não os torna impecáveis, ilimitados, e sim próximos de todos nós. Se Deus nos chama para sermos e fazermos felizes, por que o medo de responder também a este chamado? Para aqueles ou aquelas que receberam este chamado esta é a melhor forma de amar, de viver.
O matrimônio cristão é também vocação e deve ser vivido nesta lógica. Devo perguntar-me se Deus pensou para mim o casamento. Neste caso, devo rezar para que Deus me oriente, ajude-me a encontrar a pessoa certa, aquela que me ajudará cada dia a amar, a viver a fidelidade, a poder tornar-me pai, mãe, esposo, esposa, companheiros na caminhada.
MAS O QUE TEM TUDO ISSO A VER COM A MISSÃO?
A Igreja é essencialmente missionária. Foi chamada e escolhida por Deus para receber sua Revelação de amor. Somos convidados a reavivar nossa consciência de sermos Povo Eleito, Santo. Esta escolha que Deus faz não é por exclusão. Deus não exclui ninguém do seu amor, mas chama-nos para cumprir uma missão: levar a todos este mesmo amor. A Igreja é convocada, chamada para chamar. Na comunidade quando se escuta a palavra, se celebra os sacramentos, nossa vida vai mudando, descobrimos nossa vocação e quando a assumimos, com a graça de Deus, nos tornamos mensageiros, missionários.
DEUS NOS SERVE E NÓS SERVIMOS?
Isto é a verdade! Na Igreja e pela igreja somos servidos, recebemos muito. A fé nos foi transmitida pelos que nos catequizaram, houve um padre que nos batizou, que assistiu ao casamento de nossos pais, pessoas que nos acolheram, que nos ajudaram a crescer na fé… Jovens, catequistas, casais… todos estão entre as ovelhas do rebanho. Cada um recebe um chamado especial, uma vocação. O padre de amanhã está entre os que hoje vivem em nossas comunidades. É preciso descobrir que o dom que Deus nos concedeu, se permanecer fechado, em nós morrerá. São Paulo nos revela o que deve acontecer conosco: “ai de mim se eu não anunciar”. Ao contrário disso, quem doa sua vida a terá multiplicada.
ENTÃO O SAV NÃO É UM GRUPO DE GENTE QUE FAZ PROPAGANDA VOCACIONAL?
O SAV é chamado a ser uma equipe de serviço. As pessoas da equipe são, em primeiro lugar, convidadas a responderem a este chamado. Sua missão é ajudar a comunidade paroquial a crescer nesta consciência. Para isso, o primeiro passo é o testemunho de uma vida atuante, participativa na comunidade. A paróquia tem uma estrutura que pode nos ajudar. As diversas realidades e serviços de evangelização são todos necessários. O SAV ajuda todos a se sentirem vocacionados, isto é, chamados. O passo seguinte é ajudar a chamar; assim, o SAV está presente nas pastorais do batismo, familiar, da catequese, juventude, liturgia. Enfim em todas a iniciativas que levam as pessoas a serem Igreja.
E AS VOCAÇÕES ESPECÍFICAS?
Também estas vocações de padre, freira, vida consagrada nas diversas formas e congregações, são muito importantes e ajudam a formar a Igreja, como Corpo de Cristo. Uma outra tarefa do SAV é ajudar no despertar e acompanhar aqueles que manifestam sinais vocacionais para estas realidades específicas.
COMO ACOMPANHAR E TRATAR ESTA QUESTÃO?
É preciso que estas vocações sejam encorajadas com naturalidade, sem queimar as etapas próprias do discernimento e amadurecimento e sem descaso ou a indiferença que muitas vezes nos rodeia. O SAV não trabalha sozinho ou isoladamente, como “marqueteiro” dos seminários ou institutos de vida consagrada. O trabalho do SAV produz frutos quando todos se envolvem: padres, leigos, realidades eclesiais, pastorais, serviços. Mas não pode nunca perder de vista os passos a seguir: Despertar, Discernir, Cultivar e Acompanhar.
COMO COMEÇAR UMA EQUIPE PAROQUIAL DO SAV?
COMEÇAR COM QUEM?
Começar com pessoas da comunidade, dispostas a assumir o compromisso, e que tenham vivência de Igreja.
COMO DEVEMOS COMEÇAR O TRABALHO?
A coisa mais importante e fundamental: Uma intensa conscientização e motivação prévia da comunidade paroquial. Convém ressaltar que esse trabalho de conscientização sobre o sentido da vocação na Igreja hoje, é indispensável para se criar um clima vocacional de responsabilidade e interesse comum por todas as vocações.
COMO SE ORGANIZA UMA EQUIPE DE PASTORAL VOCACIONAL PAROQUIAL
Embora todos os membros de uma comunidade sejam responsáveis pela tarefa vocacional, é necessário um grupo de animação.
A escolha das pessoas que constituirão esse grupo passa pela seguinte reflexão:
1. A equipe deve ter representantes dos Jovens, da família, dos adolescentes, da catequese, da liturgia, da escola, das comunidades de base…, porque estes são os ambientes privilegiados da SAV(Doc. 50 da CNBB);
2. A equipe deve contar com a assessoria de pessoas ligadas aos Meios de Comunicação Social, aos temas centrais da Campanha da Fraternidade, às Diretrizes da Ação Evangelizadora, ao Projeto Rumo ao Novo Milênio, porque estes são os apelos fortes da igreja, para sua missão evangelizadora;
3. A equipe deve contar com a participação do Sacerdote, do Religioso, da Religiosa e do Leigo (consagrado, casado, solteiro), porque, para um verdadeiro discernimento vocacional é muito importante o testemunho das vocações específicas (convém lembrar a dimensão missionária de cada uma delas);
4. Para que o agir pastoral seja verdadeiramente organizado e eficaz, convém que cada equipe tenha: coordenação, secretaria, tesouraria, etc. Importante também é o momento do planejamento anual integrado com as demais pastorais.
CARACTERÍSTICAS DA EQUIPE DO SAV
1) É uma equipe de vivência:
Responsabilidade, testemunho, mediação, são constantes na vida do agente do SAV. Os membros da equipe tornam visível, em conjunto, a resposta fiel e alegre de nossa vocação: coerência entre fé e vida, sentimentos fraternos e serviço a comunidade.
2) É uma equipe de estudo e reflexão:
Para sua própria vida e para poder oferecer orientação vocacional, a equipe procura conhecer a base doutrinal e teológica sobre vocação e vocações:
3) É uma equipe de atividades:
a. PLANEJA, isto é, tem objetivos próprios bem definidos: conhece a realidade (saber ver), reflete e ilumina esta realidade (saber julgar), busca transformar evangelicamente esta realidade (saber agir);
b. ESTABELECE PRIORIDADES: uma prioridade é como um eixo em torno do qual giram todas as demais propostas. Demarcar essas prioridades encurta caminhos.
c. TRABALHA, organizando, realizando atividades específicas, dentro das etapas do SAV. e sempre em sintonia com as demais dimensões da pastoral orgânica de sua paróquia.
Qualidades do Animador Vocacional
1 - Deve ter “estômago de avestruz” para poder comer de tudo e tomar de tudo. Saúde “de ferro” para agüentar as viagens, intempéries e o trabalho duro e contínuo.
2 - Deve ser INTEGRADO com Arquidiocese, forania e paróquia.
3 - ATUALIZADO- estar por dentro dos anseios e esperanças, alegrias e sofrimentos, lutas e conquistas dos homens de seu tempo.
4 - ABERTO às mutações e transformações constantes da sociedade.
5-EQUILIBRADO, sem altos e baixos afetivos e emocionais demasiadamente acentuados. Pode errar, mas não desanimar. Pode sofrer depressões psíquicas, mas não se frustrar…
6 - PRUDENTE- A prudência é uma das virtudes fundamentais do animador vocacional. Deve ser atento às pessoas, conduzindo-as a que assumam seu próprio lugar na comunidade eclesial, tendo diante de si a santidade e a missão salvífica de todo o povo de Deus.
7 - SINCERO- Não deve ter duas caras ou duas atitudes. Pela sinceridade, conquistará a confiança dos jovens.
8 - AUTO-CONFIANTE- Deve ser uma pessoa que acredita em si mesmo e em tudo o que faz. Acredita que tudo o que faz, é com o amor e ajuda de Deus.
9 - DINÂMICO, AFÁVEL, SOCIAL, COMPROMISSADO com os homens de seu tempo, com a Congregação ou Ordem e com a Igreja.
10 - SÁBIO, mais no sentido de “homem capaz de saborear a vida”, as pessoas e as maravilhas de Deus espalhadas nas pessoas e nas coisas.
11 - ORGANIZADO- Quem não é organizado, hoje, certamente fracassa.
12 – QUE BUSQUE A SANTIDADE – Homem e mulher de Oração, irmão de todos. (Ninguém se apaixona por idéias, e sim por PESSOAS.)
13- FRATERNO - Que viva em comunidade com o objetivo de praticar a caridade, demonstre ao povo de Deus que é discípulo de Cristo e que o Pai enviou seu Filho ao mundo.
ENFIM O ANIMADOR VOCACIONAL é homem ou mulher, alguém cheio de FÉ, de AMOR, de CIÊNCIAS HUMANAS, ESPÍRITO APOSTÓLICO, QUE VIVE SUA VOCAÇÃO EM PLENITUDE.