COM BASE NA PRIMEIRA CARTA PASTORAL DO SR. ARCEBISBO, DOM JOÃO BOSCO, AO CLERO E AO POVO DE DEUS DA ARQUIDIOCESE DE DIAMANTINA
São prioridades pastorais:
1 A pastoral familiar
A base de todos os problemas que a sociedade vive, hoje, está na desestruturação da família. Ou salvamos a família, ou nada sobrará após o “tsunami” do consumismo (comprar por comprar e querer ter tudo o que se vê – entender que a felicidade está em possuir muitas coisas); do liberalismo (cada um faz o que quer e bem entende – inclusive os filhos, que não querem obedecer aos pais!); e do hedonismo (gozar o máximo – hoje – sem conseqüências – pois não sei se estarei vivo amanhã!).
A pastoral familiar é mais ampla que todos os movimentos de espiritualidade da família, pois ela fortalece os valores do Evangelho na vida da família, ajudando os casais a realizarem o projeto de alegria e de felicidade em seu lar, ajudando-os, também, na educação dos filhos. Tal pastoral deixa bem claro, a todos os casais, que a felicidade no casamento passa pelo mistério da experiência pessoal nos sofrimentos de Cristo na cruz! Ela procura acolher todas as pessoas que vivem alguma forma de família. Acolhe, também, e com igual carinho, aqueles que não se casaram na Igreja nem no civil. Acolhe, com o mesmo amor, a mãe solteira, os que estão em uma segunda união matrimonial, as viúvas e os viúvos, bem como os que optaram por uma vida de solteiros. Aqueles que não foram felizes em um primeiro casamento e que vivem uma segunda união não devem se sentir fora da Igreja. Há muitas possibilidades de se reconhecer, publicamente, na Igreja, a nulidade de casamentos que aconteceram só na aparência. E, ainda que não fosse possível tal reconhecimento, há lugar para todos na Igreja. Somos todos pecadores que queremos ser santos. Deus ama a todos com um amor igual e se alegra ao ver Seu amor retribuído. Somos todos Seus filhos muito queridos.
A pastoral familiar se interessa, de modo especial, pelos casais mais pobres, que enfrentam tantas e tantas dificuldades. Ela deve, ainda, apoiar todos os movimentos de espiritualidade matrimonial, bem como a preparação dos noivos para o seu casamento.
Em se tratando dessa prioridade pastoral, a primeira tarefa será a de formar agentes próprios, com metodologia própria, para uma abordagem competente da problemática da família no mundo contemporâneo. Há muitos leigos e leigas que podem ser o fundamento das grandes esperanças para a paróquia nesse campo pastoral.
2 A evangelização da juventude
Os jovens são bons, mas estão assustados e temerosos quanto ao próprio futuro. Que profissão escolher? Quais garantias de uma remuneração condigna que lhes permitirá ter sua casa, saúde, escola, lazer e condições para educar bem os seus futuros filhos? Que conhecimentos têm de Jesus Cristo e de Seus ensinamentos? Que atendimentos recebem da Igreja? Que espaços de ação responsável encontram na Igreja, sem serem entendidos e tratados como crianças?
A Igreja no Brasil está preocupada com a evangelização da juventude. A esse tema foram dedicadas duas Assembléias Nacionais da CNBB: 2006 e 2007.
Evangelização da Juventude é o jovem evangelizando o jovem, na Igreja e com a Igreja, em união com os legítimos pastores, buscando a construção do Reino de Deus numa sociedade mais justa e mais fraterna. Recordo as palavras do Papa Bento XVI aos jovens, no Pacaembu: “Sois jovens da Igreja. Por isso eu vos envio para a grande missão de evangelizar os jovens e as jovens, que andam por este mundo, errantes, como ovelhas sem pastor. Sede os apóstolos dos jovens. Convidai-os para que venham convosco, fazei a mesma experiência de fé, de esperança e de amor: encontrai-vos com Jesus, para vos sentirem realmente amados, acolhidos, com plena possibilidade de realizar-vos”.
Vamos, com a graça de Deus, investir, com alegria e com perseverança na formação das lideranças jovens em nossas paróquias. Há muitos caminhos a serem percorridos, conforme a potencialidade de cada paróquia, mas é importante, também, que surjam pessoas que, sem receio, se disponham a ser o ponto de apoio para os nossos jovens.
Saibam vocês, jovens universitários, que o Arcebispo os tem no coração e que quer estar ao lado de todos e de cada um, em todos os confrontos que vocês experimentam em um mundo tão equivocado nos seus valores. Quero ajudá-los em sua realização pessoal e profissional e partilhar com vocês os desafios enfrentados, as angústias, a distância das próprias famílias, mas também as alegrias e as vitórias que se vão somando na história de suas vidas.
3 O dizimo
A Igreja está empobrecida, quer como Paróquia, quer como Arquidiocese. A velha história de “padre rico” ou de “Igreja rica” não pode, hoje, pertencer a essa realidade do Sertão e do Vale do Jequitinhonha. A Igreja deve ser pobre na sua maneira de ser e de agir. Mas, ao mesmo tempo, precisa ter condições para manter seus sacerdotes, seus seminaristas, para formar seus catequistas, seus agentes de pastoral, que se dedicam ao serviço do Evangelho em várias pastorais e em diversos movimentos de apostolado.
No mundo da informática, da Internet, Jesus (Jesus em você, leigo agente de pastoral) não pode mais anunciar o Evangelho assentado numa barca à beira do lago... O Dízimo, como forma de manutenção da Igreja, é um ideal que pode acontecer, mesmo ainda não sendo uma realidade. Vamos chegar a esse ideal, mas, enquanto não chegamos, temos que nos valer dos meios tradicionais da História e da vida da Igreja no Brasil.
Para o atendimento dessas três prioridades, serão organizados cursos de formação de agentes próprios e específicos. É muito importante que, em todas as paróquias, os Párocos e os Administradores Paroquiais encontrem leigos disponíveis ao chamado do Senhor, para trabalharem em Sua Vinha. Ele, o Senhor, pagará mais do que merecermos.
Além dessas três pastorais, vamos olhar com especial carinho para a CATEQUESE e para a PASTORAL SOCIAL.
A catequese
A catequese é um dos dois trilhos da vida da Igreja (o outro é a liturgia), sobre os quais, como dormentes, se assentam e estão ligados todos os ministérios, movimentos e pastorais. Catequese boa, paróquia boa! “Ide e ensinai” foi a última ordem de Jesus a nós, antes de voltar para o Pai (Mt, 28,20). O episcopado brasileiro escreveu, nos últimos anos, um belíssimo Diretório da Catequese, que foi oficialmente aprovado por Roma.
As crianças sempre foram e ainda são as queridas de Jesus. Elas têm que ser, também, as queridas da Igreja e do Arcebispo. A primeira catequista, a catequista por excelência, é a mãe. A mãe, que de seu seio oferece o primeiro alimento a seu filho, deve ser também a pessoa que a ele oferece o alimento da Fé, da Esperança e do Amor de Deus. A criança que aprende a rezar dos lábios de sua mãe conservará o hábito da oração por toda a sua vida. Os catequistas são as pessoas que vão continuar as lições maternas, fazendo com que aquela semente plantada pelos pais cresça e floresça nos corações dos prediletos de Jesus.
A pastoral social
A pastoral social é o outro campo privilegiado da ação da Igreja e que nos é lembrado por Bento XVI na sua carta “Deus é amor”. A Igreja tem que estar junto dos pobres e os pobres têm que sentir que a Igreja está com eles e não somente perto deles. Há muito que fazer, evitando uma pastoral assistencialista que não ajuda a família pobre a sair de sua pobreza. O objetivo deve ser ajudar a família mais pobre a viver, a crescer e a progredir, com dignidade e com alegria, pelo seu próprio esforço e trabalho.
Bento XVI nos escreveu na sua carta “Deus é Amor”: - “A Igreja é a família de Deus no mundo. Nesta família, não deve haver ninguém que sofra por falta do necessário. Ao mesmo tempo, porém, a caridade-ágape estende-se para além das fronteiras da Igreja; a parábola do bom Samaritano permanece como critério de medida, impondo a universalidade do amor que se inclina para o necessitado encontrado ‘por acaso” (cf. Lc 10, 31), seja ele quem for”.
Como tornar a Igreja mais viva e mais atuante na sua Paróquia
João Paulo II nos pediu uma renovação da fé e da vida cristã.
A missão da Igreja não é política nem econômica, nem social. Mas a Igreja tem uma visão global do homem e da humanidade e, por isso – como servidora –, traz a luz do Evangelho a toda situação que compromete o homem: na cultura, na arte, no trabalho, no social, na economia e na política.
O grande mal da nossa época é querer um humanismo sem Deus, sem Jesus Cristo e sem Sua Verdade Libertadora. A Igreja é a família dos fiéis, um corpo em que Jesus é a cabeça. A Arquidiocese, uma comunidade de fé.
“Precisamos ser uma família onde não deve haver pergunta que não possa ser formulada, nem debate que não possa ser feito”, respeitando-se, obviamente, a doutrina do Magistério da Igreja.
Não há, no entanto, Igreja sem Bispo, mas o Bispo sozinho também não é Igreja.
Hoje a Igreja vem pedindo uma participação mais atuante do cristão leigo. Não porque faltam padres, mas porque quem é seguidor de Jesus Cristo é também um anunciador do Evangelho por palavras, por obras e pelo testemunho de sua vida santa. Agrada-me menos a expressão “protagonismo do leigo na Igreja”. Prefiro aquela cunhada no documento 61 da CNBB, Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, Nº 99 – “co-responsabilidade de todos os batizados no anúncio do Evangelho” – e repetida ainda, no doc. 62, “Missão e ministérios dos cristãos leigos e leigas”, com a expressão “co-responsabilidade do leigo na Igreja”. Em minha vida de Bispo, sempre sonhei com uma Igreja mais descentralizada, em que os leigos se atirassem com coragem e com competência na evangelização e nas atividades pastorais, sem perder o espírito de comunhão e de filial obediência ao seu Pároco, ao seu Bispo e ao Santo Padre, o Papa.
Juntos, meus irmãos fiéis leigos, vamos trabalhar, para que o Evangelho de Jesus seja mais conhecido e para que Deus seja mais amado. (Da Homilia de Posse)
Quero ser um proclamador do Evangelho, sempre e em todos os lugares e em todas as circunstâncias. Para isso, PRECISO DA SUA PRESENÇA E DA SUA AÇÃO DE LEIGO onde você vive e onde você cria e forma a sua família.